Começa o segundo tempo
Cheguei aos 45 e, pela primeira vez, não sinto que estou melhor que no ano anterior e resolvi escrever sobre isso.
Eu amo a Copa e esse ano, assim como em vários outros, era jogo do Brasil no dia do meu aniversário.
Quando vi que 13 de junho cairia no sábado, decidi fazer uma festa para assistir ao jogo e comemorar os meus 45 anos.

Quando eu estava pensando no convite, me ocorreu que 45 é justamente quando acaba o primeiro tempo e esse não só virou o tema da minha festa (Fê’s Halftime Show), mas também um motivo de reflexão.
Pensa comigo, se a vida fosse uma partida de futebol, aos 45 seria o intervalo. É quando termina o primeiro tempo, o time sai de campo, bebe uma água, recupera o fôlego e se prepara física e emocionalmente para começar o segundo tempo.
Se o time está jogando bem e marcando gols, tem que manter a estratégia para garantir o resultado. Se está jogando mal, precisa rever o que não está funcionando, fazer as substituições necessárias e se recompor para tentar reverter nos 45 minutos restantes.
A diferença é que no jogo a gente sabe que os 90 minutos são garantidos, não importa o que aconteça. Na vida, nós só temos os 45 anos que já passaram e a esperança de podermos jogar o segundo tempo o quanto mais a gente puder!
Para mim, é exatamente isso que os 45 estão parecendo: um intervalo entre o primeiro e o segundo tempo.
Um misto de limbo em que me sinto jovem demais para ser velha e velha demais para ser jovem com uma vontade imensa de fazer essa segunda metade valer cada segundo, já que o primeiro tempo foi muito bem jogado.
É um período de transição que tem sido muito mais complexo do que eu imaginava. Para falar a verdade, talvez esteja sendo complexo justamente porque eu nem imaginava que seria uma transição.



