Fevereiro foi assim
Café, séries, livros e a vida sem Instagram.
Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
Em fevereiro eu tomei café pela primeira vez na vida!
Essa informação choca muita gente, mas a verdade é que em 44 anos, eu nunca tinha tomado uma xícara de café.
Já tinha experimentado, tomando um golinho ou outro da xícara de alguém e sempre odiei o sabor.
Também nunca gostei da ideia de precisar da cafeína para funcionar ao longo do dia, então não tomar café virou quase um motivo de orgulho para mim em um mundo em que quase todo mundo é viciado.
Só que de uns anos para cá, principalmente depois que parei de beber álcool, eu comecei a sentir muita falta de gostar de café. Não pelo café em si, mas pelo ritual, para poder sentar e fazer uma pausa, tomando uma bebida gostosinha enquanto olhava as pessoas ao meu redor (principalmente em viagens) ou como forma de socializar com amigos em um ambiente que não um bar ou restaurante.
No começo do mês, um amigo se hospedou na nossa casa e, como todo hóspede que recebemos, ele perguntou qual era o nosso coffee shop favorito no bairro e eu disse que não sabia porque nem eu, nem o Mark tomamos café.
Ele ficou absolutamente chocado e, quando eu disse que estava pensando em experimentar, ele se animou e disse que na manhã seguinte ia me levar para fazer uma degustação.
Fomos a um café delicioso perto da minha casa que eu nem conhecia e ele pediu um espresso, um cappuccino e um flat white.
A sugestão dele era começar experimentando o mais forte e indo para o mais fraco.
Tomei um pouquinho do espresso e me surpreendi que não odiei, mas também não gostei. Eu achei que não fosse gostar do amargor, mas o que eu menos gostei foi a acidez. Achei muito ácido, mas já aprendi que isso muda de acordo com o grão e a forma com que é feito.
Tinha certeza de que meu favorito seria o cappuccino porque eu amo a espuminha do leite, mas por incrível que pareça, não gostei da espuma com o café.
Aí fui pro flat white e, para minha surpresa, eu adorei! Achei a proporção perfeita de leite para o café, o sabor balanceado e a cremosidade do leite de aveia perfeita.
Desde então, eu já tomei 4 cafés ao longo do mês e isso se tornou algo muito gostoso de fazer com amigas.
Não me vejo sendo aquela pessoa que acorda e toma café todos os dias, mas eu amei que o café virou esse "agrado" que eu me dou quando estou com pessoas queridas, além de ser um momento de pausa e apreciação do momento!
Fora que sempre vou lembrar do meu amigo, Nir Eyal, que me apresentou com tanta empolgação ao delicioso mundo do café.
SÉRIE
All Her Fault | Amazon Prime Video
Decidi assistir a essa série depois que uma das minhas amigas no Brasil veio perguntar no nosso grupo de Whatsapp se tínhamos assistido porque ela queria conversar a respeito.
Comecei sem muitas expectativas, mas já estava com a mão suando e o coração disparado nos primeiros 15 minutos.
Como muitas outras mulheres, terminei o primeiro episódio com um misto de indignação, revolta e, mesmo sem ter filho, uma sensação de familiaridade com algumas das personagens muito desconfortável.
Também foi interessante assistir com o Mark e ver a reação dele a certas situações. Acabamos tendo excelentes conversas sobre a carga feminina, o quanto isso é construído, o quanto é biológico, o quanto os homens são liberados de certas funções desde sempre e o quanto isso impacta nos relacionamentos.
Achei a série muito boa, mas uma coisa me chamou atenção: o roteiro não tem sutileza. Tudo é explicado, quase esfregado na sua cara, e até as pistas colocadas para gerar suspense são feitas de forma que o espectador vá montando um quebra-cabeça bem linear, juntando as peças até a revelação final.
Lembrei de algo que li recentemente sobre algumas pesquisas em ciência cognitiva que mostram que o multitasking de mídias prejudica tanto a nossa atenção, a memória e o processamento de informações, que tem sido cada vez mais difícil para o espectador acompanhar narrativas sutis. Isso tem feito com que roteiristas tenham que fazer roteiros mais explícitos e mais guiados por diálogos, para acomodar audiências distraídas e isso ficou muito evidente nessa série (os artigos estão aqui, aqui e aqui).
Embora isso tenha me irritado um pouco em alguns momentos pela obviedade em que algumas coisas eram expostas, ainda assim, fiquei impressionada com o final surpreendente.
Mas não pude deixar de pensar em como os celulares estão influenciando na forma como consumimos conteúdo, aprendemos, nos relacionamos e isso só corroborou com a minha decisão de diminuir drasticamente o meu tempo de tela esse ano.
Se você ainda não assistiu, eu recomendo demais!
LIVRO
Normal Family, Chrysta Bilton
Não sei nem por onde começar a falar sobre esse livro.
De tempos em tempos eu faço um encontro na minha casa chamado Short Story Dinner. É um jantar que um amigo meu começou para juntar grupos e discutir uma história. É tipo um clube do livro, mas cada vez é um grupo diferente que lê uma história relativamente curta.
Pois bem, teve um desses jantares na minha casa esse mês e a Chrysta era uma das convidadas.
Ao final do jantar, meu amigo disse que nós tínhamos que conversar porque ela tinha escrito um livro que ele sabia que eu ia adorar, e ele estava certo.
O livro conta a história de vida dela como filha de uma mulher lésbica nos anos 80 que decidiu ter filhos com esperma doado, uma prática bem mais comum hoje em dia, mas totalmente nova naquela época.
A história de vida dela é absolutamente surreal e o livro começa com ela contando como conheceu seus mais de 35 irmãos.
Esse é um assunto que me fascina desde que eu fiz o meu teste de DNA no 23andMe em 2017 e comecei a ouvir histórias de pessoas que descobriram que não eram filhos dos seus pais, ou que tinham irmãos que não sabiam que tinham, incluindo um amigo próximo.
Com a facilidade de se contratar uma barriga de aluguel nos USA e com o aumento significativo de casais gays e héteros que estão tendo filhos usando óvulos e espermas doados, eu sempre ficava pensando como seria no futuro se eles entrassem em um serviço como esse e começassem a descobrir irmãos perdidos pelo mundo.
Isso também me fez pensar no que é ser pai, mãe e irmão de verdade? É biologia ou afeto? Como é gerar uma criança que não é seu filho biológico? Os pais devem falar abertamente sobre isso com os filhos? Quem escolhe esconder está errado? E se a pessoa descobrir sozinha no futuro? E se um dia, por uma ironia absoluta do destino, essa pessoa começar um relacionamento com um meio irmão sem saber?
O livro responde muitas dessas minhas questões e traz ainda outras que eu nunca tinha parado para pensar, como a ética das empresas que coletam esses óvulos e esperma e o que os pais buscam e priorizam quando estão prontos para fazer uso desse artifício.
Juro, eu li em menos de 2 dias e a cada capítulo, quando eu achava que nada mais surreal poderia acontecer, minha cabeça explodia de novo.
Infelizmente, o livro ainda não foi lançado em português, mas eu precisava falar dele aqui. Se você fala inglês, vale muito a pena ler!
ACHADOS
Eu recebi uma mensagem no Instagram perguntando se eu gostaria de receber umas pastas de oleaginosas de uma marca brasileira que tinha começado a vender nos Estados Unidos.
Eu quase nunca aceito receber presentes e quando o faço (geralmente é um produto que eu compraria) sou muito transparente para que a marca saiba que receber algo não é garantia de que eu vá postar.
Mas eu simplesmente amei as pastinhas da Tartiner. Elas são cremosas, naturalmente adocicadas e minha favorita é a de castanha de caju, que já comprei de novo assim que acabou.
A marca é um sucesso no Brasil e agora vende pelo site para os Estados Unidos!
PEQUENOS LUXOS
Eu não comprei absolutamente nada no mês de fevereiro e o maior responsável foi o Instagram, ou melhor, a ausência dele na minha vida.
Eu falei disso na news de janeiro, mas estou realmente impactada com a mudança que essa decisão de limitar o meu uso teve no meu dia a dia.
Faz dois meses que eu não compro nada que eu não preciso de verdade. Que eu não me sinto ansiosa por não estar fazendo algo que eu nem queria estar fazendo, mas sentia que precisava. Que eu não fico me comparando com mulheres da minha idade que estão se entupindo de hormônios sintéticos (não os naturais de reposição hormonal) para estar com o corpo musculoso que nunca tiveram aos 20 e poucos e jurando que é sobre saúde. Que eu não me sinto mal por não estar fazendo todos os procedimentos estéticos disponíveis e que eu não quero fazer, mas acho que preciso querer. Que não sou bombardeada por magreza extrema, consumo desenfreado, opiniões calorosas e desinformadas sobre tudo o que acontece…
A lista é extensa e eu não tinha imaginado o quanto a vida sem Instagram faria eu me reconectar com a minha essência que estava adormecida.
Estou me questionando sobre tudo. Estilo pessoal, alimentação, exercícios físicos, gostos pessoais e o quanto disso tudo foi construído sob influência externa nos últimos anos. Quem sou eu sem tantas referências?
Eu ainda uso a ferramenta por 30 minutos por dia, ocasionalmente estendendo por alguns minutos extras, mas meu tempo de tela e no celular caiu drasticamente e o meu tempo de vida real aumentou na mesma proporção.
Comecei a olhar para as pessoas na rua, a prestar atenção nos ambientes, sem a necessidade de imediatamente pegar o celular no primeiro segundo de tédio ou desconforto.
Posso dizer com toda certeza que estou muito mais feliz!
E para fechar: vocês me colocaram no posto de bestseller no primeiro mês da newsletter! Obrigada a cada pessoa que assinou a versão paga, vocês são INCRÍVEIS!











Fiquei chocada com a informação do café, você tem muito cara de publicitária cafezeira kkk Adorei o relato!!
Sobre a série “All Her Fault” eu gostei demais,pois o final é bem surpreendente, gostei como eles abordam a sobrecarga na mulher e sem falar na atuação impecável das atrizes.
Fê, adotei sua dica de limitar o uso das redes sociais no próprio iphone e tem sido bem produtivo para mim e por fim quero te agradecer por me apresentar essa rede social,estou adorando acompanhar os post aqui no Substack!! Ainda não tenho condições financeiras de assinar todos os seus posts,mas está nas minhas metas!
Estou amando muito te acompanhar por aqui.
Já gostava muito de te seguir no Instagram e embora ainda sinta falta de abrir os stories e ver um monte de pontinhos no seu perfil, confesso que digerir o seu conteúdo que as vezes é um pouco... denso? Rico? Não sei qual seria a melhor forma de descrever mas, sei que acho mais fácil assimilar e processar as informações em formato de texto.
Um dos assuntos que você fala com frequência que eu pessoalmente mais tenho resistência é o assunto de livros de autoconhecimento e autoajuda. No entanto, já faz uns anos que me sinto impotente diante das mudanças cada vez mais drásticas que a SOP vem causando no meu corpo. Sei que vem estudando sobre hormônios,principalmente relacionados a perimenopausa mas, já leu algo de muito relevante sobre SOP?