Janeiro foi assim
Comecei o ano limitando meu Instagram a 30 minutos por dia. O que aconteceu depois me surpreendeu.
A última vez que eu tive um mês de janeiro tão produtivo como esse foi em 2021.
Depois de um 2025 completamente caótico, eu decidi começar este ano com algumas pequenas mudanças que acabaram fazendo uma diferença absurda nos meus dias.
Tudo começou por causa de uma avaliação neurocognitiva que a minha médica pediu que eu fizesse no dia 12 de dezembro como parte do meu check up anual. É um teste relativamente simples, tipo um psicotécnico feito em um iPad, para identificar alterações, deficiências ou padrões de funcionamento relacionados à memória, atenção, linguagem, raciocínio, percepção e outras habilidades mentais.
No meu caso, o objetivo principal era ter um padrão de referência para comparação futura, já que tô na perimenopausa e a flutuação hormonal pode refletir nessas funções. Fiquei feliz quando recebi o resultado e vi que quase todas as minhas notas estavam acima da média para a minha idade, exceto o meu nível de atenção, consideravelmente abaixo da média.
Eu sei que muitas coisas podem interferir na nossa atenção, mas a primeira que me veio à cabeça foi algo que já estava me incomodando há pelo menos um ano: o tempo que eu estava passando no Instagram.
Faz alguns anos que eu controlo o meu uso de redes sociais, mas em 2025 eu fiquei doente muitas vezes, acabei viajando bastante e peguei o hábito de ficar “matando tempo” no Instagram, ou porque eu estava muito cansada para focar em algo mais sério, ou porque acabava scrolando a tela por osmose.
Essa nota baixa mais a sensação de que meu tempo e meu cérebro estavam sendo engolidos pelo meu celular, foi o incentivo que eu precisava para tomar uma decisão: limitar o meu acesso a 30 minutos por dia, bloqueando o aplicativo pela própria ferramenta de controle do iPhone.
Só para vocês terem uma ideia, nos últimos meses eu acordava, levantava para ir ao banheiro, pegava meu celular (que fica fora do quarto, outra coisa que mudou a minha vida), voltava pra cama e, quando eu percebia, já tinha passado de 30 a 45 minutos no Instagram antes mesmo de escovar os dentes. Começava o dia sentindo que já tava devendo.
Desde o dia 1 de janeiro, eu acordo, me obrigo a levantar imediatamente (mesmo se dormi mal, o que acontece com frequência), me arrumo e começo o dia fazendo o que tenho que fazer, sem nem olhar para o celular antes de estar pronta e fora do quarto.
Essa simples mudança acabou impulsionando várias outras que melhoraram significativamente a minha vida neste último mês.
Sinto que meu dia rende como há tempos não acontecia, que consigo sustentar meu foco por períodos mais longos de tempo e, finalmente, que estou conseguindo terminar tudo o que me proponho a fazer e poucas coisas me deixam mais feliz do que isso.
PARA REFLEXÃO
O que pode ser removido da sua vida hoje para que ela
esteja melhor daqui um mês?
SÉRIE
Nesse mês eu terminei de assistir à série Pluribus e fiquei pelo menos duas semanas pensando a respeito.
Do mesmo criador de Breaking Bad (uma das minhas séries favoritas), a premissa é a seguinte: e se a humanidade inteira encontrasse a paz e a felicidade?
Parece um mundo ideal e perfeito, né? Só que não.
Por ser uma pessoa que estuda muito sobre felicidade, valores pessoais e que gosta de filosofia, a história me fez questionar o que é liberdade, individualidade, o valor do sofrimento e o que significa realmente estar viva.
Terminei de assistir com a cabeça fervendo: o que é felicidade em um contexto onde ela é imposta? Paz sem escolha ainda é paz? E se o preço da harmonia coletiva for abrir mão de tudo que faz você ser você, ainda valeria a pena?
Se você está procurando algo para assistir e gosta de coisas que não sejam óbvias eu recomendo muito.
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LIVRO
AS PERFEIÇÕES, de Vincenzo Latronico (eu li a versão em inglês, Perfection)
Esse livro está chamando muita atenção no mundo literário e tem dividido opiniões.
Ele conta a história de um casal millennial, Anna e Tom, dois designers italianos que trabalham com o que amam, tem flexibilidade geográfica tanto para decidir morar em Berlim, quanto para viajar quando sentem vontade, moram em um apartamento impecavelmente decorado e vivem uma vida perfeita, pelo menos de acordo com as fotos que postam no Instagram.
O autor, Vincenzo Latronico, expõe a nossa geração com uma narrativa ácida, mas ao mesmo tempo elegante, em um livro curto, sem drama, sem diálogos nem grandes emoções, mas muito denso.
Ele mostra o que a internet trouxe de melhor e pior para a vida de quem virou adulto entre os anos 2000-2010's. A preocupação excessiva com a imagem e a estética das coisas, a nossa persona digital, a necessidade de ser autêntico que fez com que todo mundo se tornasse quase a mesma pessoa e o ativismo digital que nem sempre traz resultados concretos para a vida real.
Os millennials estão em crise e ao ler este livro fica claro muitos dos motivos.
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ACHADOS
Achados são aquelas descobertas que custam pouco pelo que entregam. O tipo de coisa que você compra com expectativas baixas e se surpreende.
Eu viajei com a minha família no último Natal e minha mãe trouxe do Brasil um jogo divertidíssimo.
É uma espécie de Qual é a Música em que você se divide em grupos e precisa cantarolar as músicas sem as palavras para o seu time adivinhar. A gente jogou por horas e riu horrores!
PEQUENOS LUXOS
Eu chamo de "pequenos luxos" aquelas coisas que não são necessárias, mas que trazem prazer e alegria para o nosso dia a dia.
Eu não gosto de ter nada acumulado na bancada da minha cozinha, principalmente porque ela é aberta e integrada com a sala. Mas, apesar de se preocupar com a estética das coisas, eu também prezo muito pela funcionalidade.
Como eu cozinho bastante, gosto de ter à mão as coisas que eu uso o tempo todo como sal e azeite e uma coisa que me incomodava além da aparência era o tamanho das garrafas de azeite que eu usava, é que a maioria não tinha um bom dosador.
Procurando por uma solução encontrei essa garrafa que, além de maravilhosa, solta um fio constante e faz com que fique muito mais fácil controlar a quantidade de azeite que colocamos nas coisas.
O perfeito exemplo de um bom design.
Espero que vocês tenham gostado desta edição com os meus favoritos do mês e em fevereiro tem maratona do Oscar!
Um beijo,
Fê







Estou ainda nesse caminho Fê... de diminuir o consumo nas redes sociais. Como alguém apaixonada por livros, uma mudança negativa que notei é a falta de concentração na leitura.
Oi, Fê. Tudo bem?
Saí do Instagram em dezembro (fui mais radical, eu sei), também porque estava com a sensação de que a minha vida escorreu pelos meus dedos no ano passado. Escrevi sobre isso aqui: https://open.substack.com/pub/renatagcastilhos/p/restaurando-as-bases-da-atencao?r=1d36su&utm_campaign=post&utm_medium=web
Bom, mas esse rodeio todo, rs, é para dizer que desde que saí eu sentia falta de alguns conteúdos no Instagram, incluindo os seus. Vai ser uma alegria imensa te acompanhar por aqui. (Sou da segunda turma do “Planeje sua vida”!) <3
Demorei a gostar de “Pluribus”, mas os três últimos episódios me pegaram de jeito. E concordo com o que você escreveu sobre o livro do Vincenzo: ácido e bem representativo dessa cultura da performance.
Um beijo!