Porque eu cansei das redes (e vim parar aqui)
Eu sempre fui apaixonada pelo poder da internet em gerar conexões.
Como boa extrovertida e amante de tecnologia, fui early adopter de tudo o que veio depois das salas de bate-papo que eu já frequentava em 1996.
Passava horas no ICQ e no MSN no começo dos anos 2000 e fui uma das primeiras pessoas que eu conheci a entrar no Orkut, logo que foi lançado em 2004.
Criei minha conta no YouTube em agosto de 2006, pouco mais de um ano após o lançamento da plataforma e postei minha primeira foto no Instagram no dia 22 de agosto de 2011, mas já usava o aplicativo desde abril do mesmo ano, apenas cinco meses depois de ele ter sido lançado nos EUA.
Para quase todos nós, independentemente de quando você decidiu entrar, as redes sociais se tornaram não só a principal forma de manter contato com as pessoas próximas, mas também de estar perto de pessoas que antes eram inacessíveis.
Na minha vida, foi assim até 2013, quando virei nômade digital e desconhecidos começaram a me seguir, algo que mudou totalmente a minha experiência com as redes.
A grande virada como criadora de conteúdo aconteceu no final de 2014, quando descobri o Snapchat e sua função de vídeos que hoje conhecemos como stories. Foi lá que perdi a vergonha de aparecer falando em público e encontrei um lugar para expressar minhas ideias, fazer reflexões e trocar com outras pessoas interessadas no que eu tinha a dizer.
Criar conteúdo virou oficialmente a minha carreira, e fui muito ativa em quase todas as plataformas até o final da pandemia, em 2021.
Acho que depois de uma fase de hiperconexão com a vida online, impulsionada pelo fato de não podermos nos conectar na vida real, eu tive uma espécie de ressaca das redes sociais.
Achei que fosse ser temporário. Tipo quando você toma um porre de tequila e promete que nunca mais vai tomar um shot na vida, mas uns meses depois esquece o quão ruim foi e começa de novo.
Só que, para a minha surpresa, a vontade não voltou.
Parei de postar vídeos no YouTube em 2021. Fui diminuindo a frequência de posts no feed do Instagram, mas continuei ativa nos stories. De meados de 2024 para cá, fui ficando cada vez mais fora das redes, mas não conseguia elaborar o motivo para além de “estou cansada e parece tudo mais do mesmo”, enquanto o boom do conteúdo short form e superficial se instalava de vez.
Até que li essa frase em um post da newsletter The Mercer Edition:
“The new cool is not needing to be seen. It is choosing when you exist in public. It is choosing who receives access. It is understanding that your life becomes richer when it is not always observed.”
“O novo cool é não precisar ser visto. É escolher quando você existe em público. É escolher quem recebe acesso. É entender que sua vida se torna mais rica quando ela não está sempre sendo observada.”
E ela explicou muito como eu me sinto. A diferença é que, para mim, nunca foi sobre ser cool.
Foi sobre perceber que minha vida se torna mais rica quando só as pessoas que importam sabem sobre os detalhes do que está acontecendo. É um sentimento totalmente oposto ao que eu sentia em 2015, quando compartilhava meu dia inteiro no Snapchat em tempo real e amava.
Percebi que, quanto mais gente me seguia, menos vontade de compartilhar coisas íntimas eu sentia, porque elas deixariam de ser íntimas e, consequentemente, especiais.
Eu admiro criadores que produzem conteúdo de forma mais editorial, como uma empresa de mídia. Meu marido, Mark Manson, é um deles. Mas eu não me encaixo nesse formato e não quero depender de um modelo de negócio que precisa de anunciantes para ser sustentável.
A verdadeira motivação em criar conteúdo veio do desejo de me conectar com as pessoas da forma mais genuína possível, respeitando meus limites e dividindo coisas mais íntimas com um número pequeno de pessoas.
Foi por isso que este ano eu finalmente decidi dar uma chance ao Substack.
É uma plataforma relativamente nova, com espaço para criar, experimentar e conectar com as pessoas de um jeito diferente. Não preciso ficar atenta ao algoritmo ou presa a um formato específico. Posso me expressar da forma que fizer mais sentido dependendo do assunto. E, de quebra, criar uma biblioteca de conteúdo que vocês podem consultar sempre que quiserem!
Como a newsletter vai funcionar
Sem dia certo para postar. Você vai receber conteúdo quando eu tiver algo interessante ou útil para dizer (a boa notícia é que tenho uma lista infinita de assuntos, só não sentia que tinha o canal certo para me expressar).
Uma edição gratuita por mês, sempre no último dia, com o nome do mês: “Janeiro foi assim”, “Fevereiro foi assim”… Ela será um resumo de tudo o que vi, li, usei e amei, além de reflexões sobre o que aconteceu naquele mês.
Edições exclusivas ao longo do mês para assinantes pagos: análises mais profundas sobre filmes, séries e livros; pesquisas que tenho feito; meus experimentos com inteligência artificial; receitinhas, saúde, bem-estar, perimenopausa e updates da minha vida pessoal, coisas que geralmente acabo compartilhando só com meu círculo mais íntimo de amigas. São conteúdos que exigem mais tempo e dedicação da minha parte e por isso serão fechados.
Ao longo dos meses, vou entendendo o que funciona, quais formatos são mais interessantes, e a minha ideia é que esse espaço se torne uma comunidade para pessoas que, assim como eu, estão cansadas dos formatos atuais e querem uma experiência diferente no mundo digital.
Seja bem-vinda(o) e fique à vontade!



Fê, sempre te seguindo pq seu conteúdo realmente é conteúdo. Bora que bora! ❤️
Amo te acompanhar, Fê. Amo seus raciocínios, seu modo de ver a vida e como tenta resolver os conflitos da vida. Que bom saber que voltou a compartilhar um pouco conosco. 🧡