Junho foi assim
Eu estava obcecada. Passava 80% do meu tempo falando sobre a Copa, e nos outros 20% eu torcia para que alguém falasse para eu poder continuar falando. Piadinhas à parte, junho foi cheio de reflexões!
Junho é o mês do meu aniversário (ou seja, o meu mês favorito), mas a cada 4 anos ele ainda ganha um boost especial com a Copa do Mundo!
É um mês de festa, mas também de muita reflexão, já que eu trato o meu aniversário como o meu ano novo particular.
É quando eu tiro um tempo para avaliar a minha vida, o que está funcionando e o que não está, pensar no meu futuro e em como quero passar os anos que tenho pela frente.
Só que esse ano aconteceu algo diferente.
Pela primeira vez eu senti que, a partir de agora (contando que tudo corra bem e eu viva pelo menos até uns 90 anos), eu vou sempre ter mais anos para trás do que pela frente e essa não foi uma realidade fácil de aceitar.
Esse mês também trouxe algumas questões familiares, mortes e doenças que me pegaram de surpresa e que me levaram para aquele tipo de reflexão que eu já faço sempre, só que com mais força: eu estou usando o meu tempo da forma mais inteligente (e isso nada tem a ver com produtividade)? Eu estou vivendo uma vida com intenção? Uma vida que realmente importa para mim e para as pessoas que eu consigo atingir de alguma forma? Eu estou usando todo o meu potencial?
Essas são perguntas muito presentes na minha cabeça desde sempre, mas fazer 45 anos e ter a vida lembrando você de que ela é finita deixou tudo mais urgente.
Como eu também quero viver esses próximos anos com qualidade, há quase 20 anos eu uso essa data para fazer o meu check-up anual. É fácil de lembrar e não é mais uma tarefa acumulada no final do ano, que é quando a maioria das pessoas decidem fazer.
Exames quase todos feitos e já estou ajustando o que precisa para deixar a casa arrumada!
Fora isso, por causa da Copa, eu tenho passado a maior parte do meu tempo livre assistindo aos jogos!
Infelizmente, parece hoje em dia virou quase "politicamente incorreto" gostar de Copa, mas eu não estou nem aí, eu amo e aproveito muito! A Copa é uma festa que aproxima as pessoas e que está intimamente conectada com as minhas raízes e eu não abro mão disso por nada, principalmente depois de ter me mudado do Brasil.
Aliás, pelo fato da Copa desse ano ser majoritariamente nos EUA tem sido inevitável para mim (e muitos outros brasileiros) traçar alguns paralelos, mas principalmente, reativar algumas memórias da Copa de 1994.
Eu e a Copa do Mundo
Em 94 eu tinha 13 anos e foi a primeira vez que eu realmente vivi a Copa.
Foi a primeira vez que eu pendurei bandeirinhas e pintei a rua, uma prática muito comum nas periferias do Brasil.
Foi a primeira Copa que eu entendi de verdade, que eu vivi cada minuto e, quando o Brasil ganhou, foi uma emoção que eu não sei explicar até hoje.
É engraçado pensar que, pra aquela menina de 13 anos, os Estados Unidos era um conceito totalmente abstrato, tão distante da minha realidade que poderia ser comparado a Marte.
Minha geração também cresceu muito mal acostumada, vendo o Brasil ir para a final por três Copas consecutivas e ganhar duas.
A cada edição eu ficava ainda mais viciada do que na anterior e sempre foi uma prioridade na minha vida assistir aos jogos.
Em 2007, quando eu soube que a Copa de 2014 seria no Brasil eu quase morri de emoção.
Até então, eu nunca tinha imaginado que era realmente possível ver uma Copa ao vivo. Era algo tão distante da minha realidade que, na minha cabeça, a única forma de fazer parte era se a Copa fosse no Brasil, e olhe lá.
Entre 2007 e 2014 a minha vida mudou completamente. Foi a virada da minha carreira, eu comecei a finalmente ganhar dinheiro, viajar e realizar alguns sonhos e, em 2012, conheci meu atual marido.
O que eu não imaginava era que, em 2013, eu mudaria de país e que, ir para o Brasil para ver a Copa, seria tão caro e complexo quanto quando a Copa era em outros países 😭.
Eu já tinha aceitado o fato de que eu veria a Copa do Brasil na Colômbia, o país que eu morava na época, até ouvir o primeiro acorde do nosso hino nacional e começar a chorar de soluçar. Eu queria estar no Brasil, eu precisava viver isso!
Comprei uma passagem com um dinheiro que eu não podia gastar, para o único dia que tinha um preço pagável: a semi-final. Eu tinha certeza que o Brasil ganharia aquela Copa. Não tinha como outro time ganhar dentro do Brasil.
Para resumir, cheguei em São Paulo depois de voar por mais de 20 horas de tanta escala, para ver o Brasil perder de 7X1 da Alemanha.
Naquele dia, o Mark olhou para mim e disse: nós vamos dr um jeiro de ir para a Rússia e você vai poder viver a Copa ao vivo, do começo ao fim.
Em 2018, na Rússia, quando entrei no estádio para ver o primeiro jogo do Brasil eu chorei muito. Chorei porque lembrei daquela menina de 13 anos que viu o Brasil ganhar na TV, da jovem de 21 anos que viu ganhar de novo, e que jamais imaginou que um dia estaria ali, ao vivo, enquanto 200 milhões de brasileiros assistiam pela televisão, exatamente como ela sempre assistiu.

Em 2022 fui para a Copa do Catar e agora, é meio inacreditável pensar que, 24 anos depois, eu moro nos Estados Unidos, o mesmo país que sediou a primeira grande Copa da minha vida.
Los Angeles, aquele ponto abstrato no mapa que sediou a grande final, virou a minha casa. O Rose Bowl, onde o Brasil levantou a taça do tetra em 17 de julho de 1994, é um lugar onde eu já pisei e pensar nisso é muito surreal para alguém que veio de onde eu vim.
Esse ano, por conta de muitas questões que não tínhamos como prever, não conseguimos tirar férias para viver a Copa como aconteceu nas duas últimas.
Achamos que seria possível conciliar tudo justamente porque a Copa é “em casa”, mas não foi tão fácil como imaginamos.
Ainda assim, tive o privilégio de ir ao primeiro jogo dos EUA, que também foi a abertura da Copa aqui, e ao primeiro jogo do Brasil no mata-mata contra o Japão!
Junho acabou feliz, comemorando a vitória do Brasil, espero que Julho seja ainda melhor!
DOCUMENTÁRIO
Tetra: Acreditar de Novo | Netflix
É claro que eu não deixaria de aproveitar esse clima para assistir ao documentário Tetra: Acreditar de Novo, sobre a conquista de 1994.
Ele foi perfeito para justificar todos os paralelos que eu já estava construindo na minha cabeça e articulando com os meus amigos de São Paulo: as duas Copas nos Estados Unidos, as duas com uma seleção desacreditada pela torcida, o longo jejum de 24 anos e cenário político conturbado.
Eu também assisti com o Mark, o que tornou tudo mais especial!
Ele nunca viveu nada daquilo, mas depois de anos ao meu lado, ele entende o que foi o tetra, entende o meme do Galvão Bueno, e hoje, como todo brasileiro, quando alguma coisa demora demais pra acabar e finalmente acaba, ele solta um “é tetra!” mesmo sem nunca ter vivido.
Achei muito legal que boa parte do material é caseiro, filmado pelos próprios jogadores (as fitas do goleiro Gilmar e as mais de seis horas de imagem do Jorginho).
Além dos paralelos óbvios, rever tudo aquilo também me fez pensar em outras coisas.
Tem uma cena que a seleção está no ônibus e os jogadores estão juntos, conversando, cantando, se enturmando. Na época não existia celular, então eles eram meio que obrigados a estar ali, presentes uns com os outros.
Eu fiquei pensando que se alguém filmasse o ônibus da seleção hoje, eu aposto que todo mundo estaria de cabeça baixa no celular e isso talvez tenha um impacto maior do que a gente imagina na construção do relacionamento de um time.
Outra coisa que me fez pensar é que eu tinha a sensação de que os jogadores de 94 eram mais “nossos”, mais próximos da torcida, do que os de hoje. Fui atrás dos dados e vi que em 94, a maioria dos titulares já jogava na Europa, mas quase todos tinham construído carreira no Brasil antes de ir pra fora. A torcida os conhecia, torcia por eles desde antes, tinha um vínculo com cada um. que um dia jogou no seu time ou foi adversário.
Hoje, os meninos são recrutados adolescentes e vão pra Europa cedo demais pra criar essa ligação com a torcida brasileira. A minha sensação é que não falta talento e sim entrosamento e vínculo.
Pra quem viveu o tetra, rever aquilo é delicioso. Pra quem nasceu depois e só ouviu falar, vale muito pra entender de onde vem tanta emoção. Recomendo demais.
FILME
Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary)
Fora a Copa, o que eu consegui ver foi o filme Devoradores de Estrelas, com o Ryan Gosling, baseado no livro do Andy Weir (o mesmo autor de Perdido em Marte que eu também amei).
Achei meio confuso no início, quase parei de assistir, mas fui sendo levada pela curiosidade e no fim o filme me tocou demais.
O personagem principal é um cara que você percebe que chegou nos seus 30 e poucos sem a carreira que queria, sem um relacionamento e claramente nunca viveu o próprio potencial, muito por insegurança, por não acreditar na própria capacidade.
Foi preciso um acontecimento extremo, um empurrão quase criminoso, para obrigá-lo a fazer aquilo que ele jamais teria se proposto a fazer porque tinha certeza de que não conseguiria.
Tem um dilema moral muito intenso e interessante sobre o que justifica abrir mão do bem-estar individual pelo coletivo e até onde essa deveria ser uma decisão do governo ou do indivíduo.
Uma outra coisa que me marcou é que fica claro que ninguém faz nada sozinho.
Foi numa conexão inesperada e totalmente improvável que ele encontra pelo caminho, que ele achou o seu propósito e a confiança que não tinha em si mesmo.
Quando forças se juntam, coisas incríveis acontecem. Dei até uma choradinha no final e recomendo.
LIVROS
Aline Bei
No ano passado eu li O peso do pássaro morto e fui atravessada pela história. A escrita dela me pareceu estranha no começo, com parágrafos que começam sem letra maiúscula, uma pontuação esquisita, espaços propositalmente estranhos.
No começo, cheguei a prestar mais atenção no formato do que na história. Mas ao longo do livro fui me envolvendo cada vez mais, e no fim fiquei devastada porque é uma história muito pesada.
Quis comprar os outros dois na sequência, mas não consegui pelo Kindle americano, então deixei para comprar quando estive no Brasil em maio.
Li Pequena coreografia do adeus (o segundo dela) no voo de volta pra Los Angeles numa sentada só, sem conseguir parar. Ele fala da relação entre pais e filhos e me lembrou muito da minha própria infância e adolescência e me tocou profundamente.
Emendei o mais novo dela na sequência, o Uma delicada coleção de ausências, e esse acabou comigo.
O começo me pareceu parado, meio aleatório, contando a história de uma mulher, da neta, da filha que sumiu, e não estava fazendo muito sentido. Mas a história me prendeu o suficiente pra eu seguir, e num determinado momento tudo se conecta e é um soco no estômago. Fiquei nauseada de verdade, com vontade de vomitar.
Foi aí que percebi uma coisa sobre os livros dela: são tão pesados que eu acabo esquecendo a história, quase como um mecanismo de defesa. Eu lembro nitidamente do que senti lendo, mas se você me pedir pra contar o enredo em detalhes, eu não consigo.
Alguma coisa na minha cabeça apaga os detalhes e guarda só o sentimento. Ainda assim (ou talvez até por isso), eu achei os três livros muito bons. É uma escrita não convencional, que talvez não agrade a todo mundo, mas que eu aprendi a gostar.
Start With Yourself, Emma Grede
Eu quero escrever um post inteiro sobre esse livro porque acho que ele merece.
Conheci o trabalho da Emma num painel do In Goop Health em 2024, aqui na Califórnia, e fiquei encantada com o jeito articulado e honesto com que ela fala das coisas.
Emma foi a primeira mulher que eu vi falar abertamente sobre o mito de que a gente “dá conta de tudo”. Ela, que de fora parece ter tudo (o relacionamento perfeito, a carreira espetacular, QUATRO filhos), fala sem rodeios sobre os trade-offs de cada escolha.
Eu ouvi no Audible (narrado por ela, ou seja, sotaque britânico) e ele é uma mistura de biografia, autoajuda e empreendedorismo, muito bem escrito, cheio de histórias, depoimentos e conselhos valiosos.
É um excelente material para mulheres que querem empreender, mas também para as que só querem se sentir melhor com as escolhas que fazem entre carreira, vida e maternidade.
Fiquei impactada porque tenho muitas coisas na minha historia de vida e na minha personalidade que são parecidíssimas com ela, além da forma de pensar em relação a muitas coisas, mas também percebi que tenho muito para aprender, ajustar e melhorar.
ACHADOS
Nem são achados, mas todas as vezes que eu apareço nos meus stories usando um batom eu recebo dezenas de mensagens perguntando sobre eles.
Por isso, fiz um compilado dos que estão em uso no momento e que são meus favoritos há anos!
Eu acabo usando duas famílias de batons: os vermelhos e os rosas mauve.
Vermelhos
Westman Atelier, Lip Suede Matte Lipstick na cor Ma Biche
ILIA, Color Block Lipstick na cor Tango
ILIA, Lip Sketch Hydrating Lipstick + Lip Liner Crayon na cor Classic Red
Mauve
ILIA, Balmy Tint Hydrating Lip Balm na cor Memoir
CARE + Vanessa Rozan, Lápis Batom na cor Hazelnut
Na próxima quinta-feira, tem algo especial pra quem é assinante pago
Na semana que vem eu vou publicar, só para assinantes pagos, o texto mais pessoal e detalhado que já escrevi por aqui: toda a história da minha saúde hormonal.
Vou trazer o contexto desde a minha adolescência, o meu uso de anticoncepcional ao longo dos anos e a reposição hormonal que comecei em dezembro de 2025.
Vou abrir o protocolo inteiro, o racional por trás de cada decisão, os prós e os contras e, principalmente, o que eu tenho sentido nesse processo e o que está funcionando ou não.











Eu sempre amei copa e sempre amei futebol, mas foi você que me inspirou a colocar esse sentimento para fora!!
Vamos Brasiiiiiiiiiiiiiiil
Lembro quando vc postou no insta a foto da copa da Rússia que repostou nesse e-mail. Não assisto futebol normalmente, mas amo copa do mundo! E sei que isso vem da copa de 94. Eu estava em Pernambuco, visitando a família da minha mãe, que ela não via há muitos anos. Assisti aos jogos na casa de parentes, em hotéis, restaurantes. E para nossa maravilhosa surpresa, a seleção desceu lá em Recife com a taça na mão! Foi uma festa linda, trio elétrico, algo que eu nunca tinha visto no alto dos meus 9 anos de idade... Vale muito a pena também assistir ao documentário "Brasil 70: A saga do Tri" que está na Netflix.